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domingo, 9 de março de 2014

Nota para mim

Nem sempre consigo escrever, sentir ou até mesmo pensar.

Tenho preguiça nas mãos, nos olhos,  no coração - como se esperasse qualquer coisa que nunca mais vem lá.

Às vezes gostava de ser Saramago, de escrever textos corridos, com pontuação apenas que demarca os tempos orais mas que deixa à mercê de quem lê a gramática e a interpretação.

Mais do que isso apetece-me brincar no limite nao acentuar deixar de usar maiusculas ou mesmo deixar de pontuar como se tudo fosse texto corrido e preguiçoso escrevendo somente para mim como se tudo rumasse a uma velocidade louca em direcçao ao fundo do tunel a fim de chegar o mais sofregamente possivel aquela luz que todos evitam quem me dera ler livre e rebelde para isso quem me dera nao ser eu quem me dera nao ser ninguem fim

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O cansaço da rotina



Dor pensar, dor de sentir, dor de ser.



    Numa manhã como as outras –complicada, melancólica e depressiva-, indo de metro para a faculdade, ocorreram-me algumas filosofias de Fernando Pessoa, principalmente no que toca ao heterónimo que sofria com a sua consciência, com o facto de intelectualizar e da angústia que isso lhe causava. Mais do que pensar, a mim magoa-me grande parte do que percepciono, não só aquilo que cogito, mas aquilo que sinto, que experiencio e vivo. Sofro de dor de ser , dor de até existir. É um conceito muito abstracto, inclusive é-me complicado transpor para texto o que não passam de emoções, principalmente quando o criei num devaneio momentâneo. 

     A dor é uma sensação de desconforto, podendo ser física ou psicológica, é uma reacção do corpo humano para informar o indivíduo de que algo no organismo não se encontra a funcionar de forma normal ou existe alguma complicação; creio que a dor psicológica e a dor física andam de mãos dadas. De facto, ambas se sentem, ambas se fazem notar em diferentes intensidades, conseguem ser resistentes a tratamentos e podem interagir uma com a outra. 

    Infelizmente (ou nem tanto assim), durante o curto período de vida que tive, foi-me dada a conhecer uma vasta panóplia de modelos bem construídos de dor física e, no entanto, creio que nenhuma é tão agonizante como o sofrimento emocional. Viver numa constante náusea, com um desejo patente e inevitável de que a vida possa ser terminada no minuto seguinte, expressa-se a todos os níveis: a insónia e a os desmaios de sono que podem ter 18 horas de duração; a alteração do apetite; a vontade de fazer as coisas mais simples do quotidiano; a incapacidade de disfarçar o humor; as dores de cabeça e no corpo; a sensação constante de nó na garganta e a de se colapsar a chorar a qualquer momento. No meio de tudo isto existem várias vítimas, como a família e amigos, mas a mais afectada é a responsável pelo seu estado e pela sua eventual recuperação. Viver sufocado e molestado não é viver, é deixar que o tempo nos leve na esperança que em breve não exista mais “tempo”.